Tadeusz Kantor | Introdução
Texto: Cristina Tolentino
cristolenttino@yahoo.com.br
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Tadeusz Kantor nasceu em Cracóvia, Polônia, em 1915. Cursou a escola de Belas Artes, onde teve como mestre Karol Fryes, um admirador e amigo de Gordon Craig. Também recebeu influência de toda a “avant garde” dos anos vinte, a escola de Bauhaus, o construtivismo russo, as idéias dadaístas e futuristas. Ele diz: “Durante meus estudos no Liceu e na Escola de Belas Artes estava influenciado pelo simbolismo. Lia apaixonadamente Witkiewicz e Wyspians. Conhecia os dramas de Maeterlinck. As formas radicais como o construtivismo, a abstração geométrica, a Bauhaus, me absorviam”...”ademais , a atmosfera artística dos anos 30 era, simplesmente, de familiaridade com a morte”.
Kantor constrói um “novo paradigma” na cena teatral: “a unidade é a idéia, o sentimento. Funciona como mistério para o homem. É a noção abstrata, por excelência filosófica. Em poucas palavras, é Deus. É dizer, criando esta unidade: o teatro deve ser uma eterna recriação do mundo, do universo, do cosmo. Então, tem que chegar um momento na participação, na representação, em que todos, espectadores e atores, brilhem como deuses.” Um teatro que se constrói na ação e não pelo aparato de reprodução literária. Um texto dramático, não fechado, não conclusivo, incongelável: “um mapa do tesouro e, ao mesmo tempo, uma pista falsa.”
Kantor constrói no limite entre a realidade e a ficção: “a função do teatro é estabelecer essas duas fronteiras bem nítidas entre o que é vida e o que é ilusão”. Ele constrói uma nova totalidade, difícil de ser prevista antes de ser criada e antes que possa, após várias tentativas, aparecer.
Busca retornar ao teatro não institucionalizado, ao “CIRCO AMBULANTE”, um estranho lugar sem lugar, de acontecimentos estranhos e inesperados; uma comunidade onde se cria e recria, e dispersa e torna a juntar; uma comunidade de pessoas, com suas relações mútuas, transformações, experiências, com seus utensílios portáteis (que carregam de um espetáculo a outro), suas tramas, suas idéias, onde, Kantor sempre presente como inspirador e criador de espetáculos, constrói essa nova totalidade, que surge do imprevisto objetivo, da cena, da experimentação, do “é em cena que tudo se fará”, como diz Antonin Artaud.
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