terça-feira, 7 de setembro de 2010

Tadeusz Kantor

A Cena. O Espaço. O Objeto. A Repetição.

Tadeusz Kantor
A Galinha Aquática (1967)

A CENA. O ESPAÇO.

Poeta da cena, o espaço sempre foi fundamental para ele: “os vastos espaços me fascinam, têm para mim um valor autônomo, elástico, animado por movimentos de extensão e contração. São vivos”.
Tadeusz Kantor

O OBJETO

Para Kantor um espetáculo é uma obra de alquimia onde “todos os elementos, nobres ou pobres, participam da destilação para que o processo se realize”. Texto, ator, objeto, espaço e espectador: um conjunto, onde todos são igualmente importantes. O objeto ocupa posição importante em seu trabalho onde trata sempre da relação ator-objeto. E o que se usa é um objeto qualquer, apenas recuperado para significados artísticos e emocionais. Quanto menos importante for ele, maiores possibilidades revela. O objeto é, para Kantor, uma espécie de prótese do ator. Cada personagem tem o seu próprio objeto que, ligado a seu corpo, forma com ele um só ser. Na cena esses objetos vão mudando de significado. Ângulos e linhas que se modificam no contexto da cena. A manipulação do objeto e suas relações com o personagem conferem ao objeto aspectos mágicos e inesperados. Há uma cena na peça Wielopole-Wielopole de que Brunella Eruli em seu livro “Lê Voies de la Création Theatrale”, nos dá detalhes sobre uma máquina fotográfica de função ambígua. Nessa cena a máquina fotográfica, daquelas antigas com sanfona, toma um significado duplo. Ao tirar a foto para prosperidade, por um segundo, a máquina prende as pessoas na pose, estáticos e imóveis: eterniza assim um momento vivo, prendendo-o na imobilidade da imagem, mas, ao mesmo tempo, ao bater a foto, a máquina, na cena, se transforma em metralhadora. A fotografia ao mesmo tempo em que eterniza, mata o momento. É a sua metáfora. No estático e no inerte, a vida está como que morta, ausente. Mas é justamente nessa aparência de morte, de não vida, que a vida se torna mais presente. Como se a morte fosse vida.
Tadeusz Kantor
A Galinha Aquática (1967)

A REPETIÇÃO

Para Kantor, a realidade depende da ilusão para se manifestar. Para ele, realidade é sempre alguma coisa que já existiu. Daí a importância da REPETIÇÃO, outro tema importante em seu trabalho. Repetir um gesto, uma, duas, três, várias vezes, é tornar presente alguma coisa anterior a nós mesmos, alguma coisa que já existe e perdura em nós, como um eco. Existe agora, e ao mesmo tempo não existe, como a foto ou uma imagem. Na repetição, revela-se o que nessa idéia, existe de permanente. Objetos, formas, máquinas, bonecos, manequins são peças intrínsecas no teatro de Kantor. Arte, vida, repetição são para ele ecos, reflexos de realidade anterior. Na repetição, como na vida ou na arte, o supérfluo se esvai, o essencial fica.
(por Cristina Tolentino)

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